sábado, 7 de dezembro de 2013

Nova esperança para pacientes com Alzheimer

                    

 
Fonte: Brain Research, 09/05/2006

Pesquisadores do MIT desenvolvem um "coquetel" de suplementos dietéticos que pode ser uma esperança para o tratamento da doença de Alzheimer.

Há anos, os médicos encorajam as pessoas a consumirem alimentos tais como peixes que são ricos em ômega-3 e que aparentemente melhoram a memória e outras funções cerebrais.

A pesquisa do MIT sugere que o coquetel de ácido graxo ômega-3 e outros dois compostos normalmente presentes no sangue pode retardar o declínio cognitivo observado na doença de Alzheimer, que afeta entre 4 e 5 milhões de americanos.

"Tem sido muito frustrante oferecer tão pouco às pessoas que têm a doença de Alzheimer, disse Richard Wurtman, professor de neurofarmacologia do MIT e que conduziu a equipe de pesquisa. Os três compostos no coquetel - ácidos graxos ômega-3, uridina e colina, são todos necessários para que os neurônios fabriquem fosfolipídeos, o principal componente das membranas celulares.

Depois de acrescentar os suplementos às dietas de roedores, os pesquisadores observaram um aumento da quantidade de membranas que formam as sinapses celulares cerebrais, onde mensagens entre as células são retransmitidas. Acredita-se que os danos nas sinapses cerebrais causem a demência que caracteriza a doença de Alzheimer.

Se os resultados exitosos obtidos nos roedores puderem ser duplicados em testes humanos, o novo tratamento talvez não possa oferecer a cura mas um tratamento de longo prazo para a doença, similar àquele que L-dopa, um precursor da dopamina, faz com os pacientes com Pakinson, disse Wurtman.

O novo possível tratamento oferece uma abordagem diferente da tática tradicional de focar as placas amilóides e emaranhados que se desenvolvem nos cérebros dos pacientes com Alzheimer. Até recentemente, a maioria dos pesquisadores acreditava que essas placas e emaranhados causassem o declínio cognitivo. Mas o malogro dessa hipótese em conduzir a um tratamento efetivo para a doença de Alzheimer tem feito com que alguns cientistas teorizem que, embora as placas e emaranhados estejam sempre associados com a doença, eles podem não ser a principal causa da demência, nem o melhor alvo a ser tratado.

Ao invés disso, a nossa pesquisa foca nas sinapses cerebrais, em que neurotransmissores tais como a dopamina, acetilcolina, serotonina e glutamato carregam mensagens de neurônios pré-sinápticos para receptores nas membranas de neurônios pós-sinápticos. Em pacientes com Alzheimer, sinapses no córtex e hipocampo, que estão envolvidos no aprendizado e memória, são danificados.

Depois que foram ministrados os suplementos dietéticos, os pesquisadores detectaram um grande aumento nos níveis de proteínas cerebrais específicas, conhecidas por estarem concentradas dentro das sinapses, indicando que mais membranas sinápticas se formaram. Os níveis de proteína aumentaram em roedores que receberam ou ácido graxo ômega-3 ou uridina mais colina. Entretanto, o aumento mais acentuado foi observado em roedores que receberam os três compostos. Segundo Dr. Wurtman, esta é a primeira explanação concreta para os efeitos comportamentais do ácido ômega-3.

A colina pode ser encontrada em carnes, nozes e ovos e o ácido graxo ômega-3 pode ser encontrado em uma variedade de fontes, incluindo peixe, ovos, linhaça e animais alimentados com capim. A uridina, que é encontrada no RNA e produzido pelo fígado e rim, não é obtido a partir de dieta. Entretanto, a uridina é encontrada em leite materno, que é uma boa indicação que o suplemento de uridina é seguro para o consumo humano, disse Dr. Wurtman.

Estudos recentes realizados por pesquisadores do MIT e cientistas da Cambridge University, Inglaterra, mostraram que tanto a uridina como o ômega-3 podem promover o crescimento de neuritos, que são pequenos rebentos das membranas celulares neuronais. Isso reforça a hipótese que os ácidos graxos ômega3 aumentam a formação de membrana sináptica, disse Wurtman.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Teste de droga que pode combater o Alzheimer e o Parkinson

Os cientistas infectaram as cobaias com príons, proteínas tóxicas associadas à doença que ficou conhecida como “vaca louca”
 
 
Saiu na revista Science Translational Medicine uma matéria que relata a experiência feita com uma droga que pode, futuramente, combater doenças como o Alzheimer e o mal de Parkinson. Cientistas da Universidade de Leicester, financiados pelo governo do Reino Unido, foram os responsáveis pelo teste com a substância fornecida pela farmacêutica GSK.
O composto, ainda sem nome comercial, foi testado em camundongos. Os cientistas infectaram as cobaias com príons, proteínas tóxicas associadas à doença que ficou conhecida como “vaca louca”. Dentro do cérebro, os príons atingem os neurônios dos animais convertendo as proteínas normais em proteínas tóxicas. Quando as proteínas tóxicas se acumulam no cérebro dos roedores, a produção de proteínas saudáveis cessa e há um processo de paralisação. A substância desenvolvida pela farmacêutica bloqueia a degeneração dos neurônios, impedindo, desta maneira, a produção de proteínas saudáveis.

O estudo, bem-sucedido com os camundongos, devem ainda passar por diversas fases antes da realização de testes clínicos com humanos. Os roedores que participaram da experiência apresentaram problemas no pâncreas e perderam peso. Mesmo assim os estudos seguem em curso, apontando caminhos para o desenvolvimento de substâncias que possam ser utilizadas em humanos contra a perda de células cerebrais, a neurodegeneração.


Redação Passo Fundo
(Redação Passo Fundo / DM)

redacao@diariodamanha.net

 

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Homem testa os seus novos braços após duplo transplante

Homem testa os seus novos braços após duplo transplante
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Gabriel Granados tornou-se no primeiro a ser alvo de um duplo transplante de braços na América Latina. Depois de ter perdido os dois braços num violento choque eléctrico, o mexicano consegue novamente fazer o seu dia-a-dia com alguma normalidade.

O homem de 53 anos nunca tinha dado grande importância ao procedimento de transplante de órgãos. Até que sofreu um acidente que mudou a sua vida, deixando-o dependente dos outros para fazer as mais vulgares tarefas quotidianas, como vestir-se, lavar-se ou comer.
A operação demorou 17 horas até que os médicos conseguiram transplantar os braços de uma vítima de um tiroteio para Gabriel, que tinha tido que fazer uma dupla amputação após o seu acidente.
Durante os últimos dois anos, Granados realizou intensa fisioterapia, executando exercícios como escrever, jogar com uma bola ou manusear objectos.
Paralelamente, o homem toma diariamente doses de imuno-supressores para evitar que o seu corpo rejeite o tecido estranho.
Apesar do sucesso deste caso, os profissionais da Saúde lamentam que o número de intervenções cirúrgicas como esta seja limitado no futuro, dado o sempre descrescente número de doadores de órgãos.
«Infelizmente, não temos a cultura da doação de órgãos», referiu Gabriel. «Eu também pensava assim, mas agora já não. Isto é a prova que resulta mesmo», observou.
Só no México, a lista de espera para órgãos doados tem cerca de 18.000 entradas.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Cura do Mal de Alzheimer dá grande passo

Substância pesquisada na Universidade de Leicester é capaz de barrar a morte de neurônios DIÁRIO DE S.PAULO

Uma equipe de neurocientistas da Universidade de Leicester (Inglaterra) descobriu o que pode se tornar a cura para o mal de Alzheimer. Testada em ratos de laboratório, uma substância química conseguiu barrar a morte dos neurônios. Ainda são necessárias mais investigações para desenvolver uma droga que possa ser usada por doentes.
A equipe liderada por  Giovanna Mallucci focou nos mecanismos naturais de defesa formados em células cerebrais. Quando um vírus atinge uma célula do cérebro, o resultado é um acúmulo de proteínas virais. As células reagem fechando toda a produção de proteínas, a fim de deter a disseminação do vírus.
De acordo com reportagem da BBC, muitas doenças neurodegenerativas implicam na produção de proteínas defeituosas ou “deformadas”. Elas ativam as mesmas defesas, mas com consequências mais graves.
As proteínas deformadas permanecem por um longo tempo, resultando no desligamento total da produção de proteína pelas células do cérebro, levando à morte destas.
Esse processo, que acontece repetidamente em neurônios por todo o cérebro, pode destruir o movimento ou a memória, ou até mesmo matar, dependendo da doença.
Os pesquisadores usaram um composto que impediu os mecanismos de defesa de se manifestarem, que, por sua vez, interrompeu o processo de degeneração dos neurônios.
O mal de Alzheimer atinge mais de 36 milhões de pessoas em todo o mundo. Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), até 2050 o número de doentes deve triplicar.
“O que é realmente animador é que pela primeira vez um composto impediu completamente a degeneração dos neurônios. Este não é o composto que você usaria em pessoas , mas isso significa que podemos fazê-lo e já é um começo”, disse Giovanna Mallucci em entrevista  à BBC.
O especialista Roger Morris, da King’s College London, afirmou: “Esta descoberta, eu suspeito, será julgada pela história como um acontecimento importante na busca de medicamentos para controlar e prevenir o Alzheimer”.


                    
                                                                                                                              
 

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Células Tronco no sangue

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto concluíram, após cinco anos, um estudo que demonstra que as células-tronco adultas mesenquimais estão nas paredes
de todos os vasos sanguíneos. Antes disso, essas células eram mais
encontradas na medula óssea.
A pesquisa, feita por profissionais do
Hemocentro e do Hospital das Clínicas (HC), foi publicada na edição de
março da revista científica internacional Experimental Hematology.
"Esse é um conceito novo e muda a nossa visão sobre essas células", diz
o pesquisador Dimas Tadeu Covas, que preside o Hemocentro e é professor
da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão.

Células-tronco, adultas e embrionárias, são células indiferenciadas e, por essa
característica, têm o potencial de serem usadas no tratamento de
diferentes doenças degenerativas, como lesões cardíacas. As mesenquimais
dão origem a componentes do sangue. "Estando nos vasos sanguíneos, elas
controlam inúmeros mecanismos de reparo e regeneração", afirma o
cientista.

Segundo Covas, os resultados da pesquisa ainda são iniciais e agora é necessário entender essa célula para estudar a
possibilidade de uso em tratamentos clínicos. "Abriu-se uma avenida nova
de investigação", afirma ele. "Com a análise inicial, podemos intervir e
começar a trabalhar especificamente com células de cada um dos tecidos,
para ver como se comportam." O objetivo da equipe é estudar como elas
agem no fígado, no cérebro e em outras partes do corpo. Covas explica
que, apesar da descoberta, a medula óssea continua sendo uma fonte
importante de células-tronco adultas, por sua facilidade de obtenção.

Enquanto o uso de células-tronco adultas é permitido no Brasil, a utilização das
embrionárias está sob julgamento no Superior Tribunal Federal (STF). As
informações são do jornal O Estado de S. Paulo
 

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Cientistas usam clonagem para produzir células-tronco embrionárias


Técnica, a mesma que criou a ovelha Dolly, causa receio na comunidade científica, porque pode ser usada para clonar seres humanos

The New York Times | - Atualizada às 15/05/2013 20:52:26
Divulgação

Colônia de células-tronco embrionárias criada pelos cientistas de Oregon
Cientistas anunciaram hoje nos Estados Unidos uma nova técnica de clonagem que conseguiu reprogramar células da pele humana em células-tronco embrionárias, que têm a capacidade de se tornar em qualquer célula do corpo.
O anúncio não é só um avanço na tecnologia de células-tronco, que tem o potencial de curar um grande número de doenças, mas também causou apreensão de que ele pode significar um passo no caminho da clonagem de seres humanos.
A pesquisa foi publicada nesta quarta-feira (15) pelo periódico científico Cell, e foi liderada por Shoukrat Mitalipov, cientista sênior do Centro Nacional de Pesquisas em Primatas de Oregon, em
parceria com pesquisadores da Oregon Health & Science University (OHSU).
Leia também: Novo estudo mostra que transplante de células-tronco não causa rejeição Criado dente a partir de células humanas e de rato Cientistas reprogramam células de urina para gerar neurônios Células pluripotentes são consideradas a grande esperança da medicina
Os pesquisadores pegaram células da pele de uma criança com uma doença genética e as fundiu com óvulos doados, para criar embriões que eram geneticamente idênticos à criança. Em seguida, extraíram células-tronco destes embriões.
A técnica usada é essencialmente a mesma que criou a ovelha Dolly e muitos outros animais clonados em anos seguintes. Nestes casos, os embriões foram implantados no útero de fêmeas adultas da mesma espécie.
Os cientistas de Oregon não implantaram seus embriões em barrigas de aluguel e declararam não ter nenhuma intenção de fazê-lo, já que a técnica, de qualquer maneira, não geraria um bebê saudável. O mesmo procedimento foi tentado anos a fio em macacos, e nunca resultou no nascimento de um macaco clonado.
Ainda assim, o fato dos cientistas terem conseguido que embriões humanos clonados sobrevivessem tempo suficiente para a extração de células-tronco foi vista como um avanço na área de clonagem reprodutiva humana.
O grupo de Mitalipov, no entanto, deixou claro que seu objetivo era a clonagem terapêutica: criar células-tronco embrionárias geneticamente idênticas a um paciente, que possam se converter em
qualquer célula do seu corpo e tratar doenças atualmente sem cura.

Atualmente, células-tronco embrionárias usadas em pesquisas vêm de embriões descartados por clínicas de fertilidade. Mas os tecidos criados a partir destes embriões podem não ser geneticamente compatíveis com qualquer paciente, o que poderia causar rejeição.
Há mais de uma década que a comunidade científica tenta criar células-tronco embrionárias a partir de clonagem. Um cientista da Coreia do Sul anunciou o feito em 2005, mas posteriormente foi denunciado como fraude.
Ainda assim, a demanda por clonagem terapêutica pode ser menor agora do que há dez anos, porque cientistas atualmente conseguem usar células adultas de pele para criar células-tronco bastante similar às embrionárias, mas sem usar embriões. São as chamadas  células-tronco pluripotentes induzidas .

quarta-feira, 1 de maio de 2013


Bexaroteno restitui Alzheimer em camundongos, diz pesquisa

O anticancerígeno fez submergir cerca de 75% das placas beta-amiloides, responsáveis pelo Alzheimer, do cérebro de camundongos
393149 neuronio Bexaroteno restitui Alzheimer em camundongos, diz pesquisa Imagem: (Foto Divulgação)
Uma droga contra o câncer restituiu ligeiramente os desempenhos cerebrais de camundongos que sofriam da doença de Alzheimer, divulgou uma análise publicada na semana passada na revista Science. O anticancerígeno bexaroteno fez submergir cerca de 75% das placas beta-amiloides, uma proteína cujo acúmulo é uma das principais peculiaridades patológicas da doença. E mais, retrocedeu as consequências da doença, como a perda de memória. As conclusões apontam um progresso no que pode derivar na criação de um tratamento para a doença atualmente incurável.
Depois de três dias do começo do tratamento com o bexaroteno, os camundongos – geneticamente alterados para criar a doença de Alzheimer – começaram a mostrar desempenhos normais. “Os animais também recuperaram a memória e o olfato”, afirmou o Dr. Daniel Wesson, professor de neurociência na faculdade de Medicina Case Western, em Cleveland (Ohio), coautor da pesquisa. Ele observou que a perda de olfato é, normalmente, o principal indicativo de Alzheimer nos humanos.
Este progresso não possui antecedentes, de acordo com Paige Cramer, um pesquisador que cooperou com o estudo. Até o momento, o tratamento mais eficaz existente em camundongos demorava meses para extinguir as placas amiloides.”Nosso próximo objetivo é verificar se a estratégia funciona da mesma maneira em humanos”, adicionou o Dr. Gary Landreth, professor de neurociência na mesma instituição e principal autor da pesquisa. “Estamos ainda nos primeiros estágios para transformar esta descoberta fundamental em um tratamento”, afirmou o pesquisador.
Segundo o autor, a equipe “espera obter os primeiros resultados de um teste clínico preliminar até o ano que vem”.
Esta análise foi fundamentada na descoberta, de que a principal condução do colesterol no cérebro, uma proteína chamada ApoE (apolipoproteína E), também provoca a eliminação das beta-amiloides. Um aumento na quantia dessa proteína no cérebro acelera a destruição das placas amiloides que se aglomeram. A doença de Alzheimer se desenvolve na maioria das vezes quando o organismo, em fase de envelhecimento, perde a habilidade de extinguir a beta-amiloides que se constitui espontaneamente no cérebro.
Segundo a pesquisa, o bexaroteno reorienta as células do cérebro para que elas ‘devorem’ novamente os acúmulos de amiloides. O bexaroteno, primeiramente instituído com o nome de Targretin, foi aprovado pela FDA, (Agência Americana de Medicamentos), em 1999. Ele trata um delicadíssimo linfoma cutâneo de células T.