A ciência constitui um processo inacabado e inacabável. O caminho que o cientísta percorre para a investigação dos fatos, na busca incessante da verdade, é o método científico. A proposta deste blog é a divulgação desse método e dos resultados da sua utilização: as últimas pesquisas, os avanços científicos.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Pesquisa no exterior beneficia o País
Desde 1994, o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis trabalha na Universidade de Duke, nos Estados Unidos, em uma pesquisa que pode levar à cura de doenças degenerativas como o Mal de Parkinson. Mesmo estando longe do Brasil, ele acredita que a experiência dos cientistas que vão para o exterior contribui para o conhecimento aqui no País. “Só 5% daqueles que vão não retornam”, diz.
Para o pesquisador, que pode se tornar o primeiro brasileiro a receber um Prêmio Nobel, há muitos talentos no País que só precisam de uma oportunidade para decolar. “Por isso, o investimento em tecnologia e ciência é estratégico para qualquer nação”, disse ontem Nicolelis, durante um almoço realizado em São Paulo em sua homenagem, promovido pela Gazeta Mercantil e o Jornal do Brasil, com o apoio da Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia). (págs. 1 e C2)
Glaxo e Pfizer juntas contra a Aids
A GlaxoSmithKline, que já foi a maior fabricante global de medicamentos para o tratamento da Aids, e a Pfizer vão criar uma empresa específica para pesquisa, desenvolvimento e comercialização de medicamentos para o tratamento da doença. O objetivo das companhias é aumentar a participação das duas farmacêuticas em drogas contra o vírus HIV. Trata-se de um mercado que movimenta US$ 12,3 bilhões ao ano e é dominado pela norte-americana Gilead Sciences. (págs. 1 e C2)
terça-feira, 24 de março de 2009
Até sangue poderá ser fabricado (Correio Braziliense)
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Inseticida genético
13/10/2008
Por Thiago Romero
Agência FAPESP – Partindo do princípio de que são escassas as formas de controle efetivo de mosquitos, cada vez mais resistentes aos inseticidas comerciais, o pesquisador André Wilke, da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP), adaptou um método para o controle desses insetos.
A metodologia se caracteriza pela produção de exemplares geneticamente modificados para liberação em regiões infestadas por Culex quinquefasciatus (também conhecido popularmente como pernilongo ou muriçoca), a fim de controlar sua população. O mosquito é considerado uma praga urbana por ser capaz de se desenvolver em águas poluídas e atingir elevada densidade.
No trabalho, descrito na dissertação de mestrado Controle genético de mosquitos Culex quinquefasciatus, que acaba de ser defendida na FSP, com apoio da FAPESP na modalidade Bolsa de Mestrado, o pesquisador adaptou procedimentos da técnica de Liberação de Insetos Carregando Gene Letal Dominante (RIDL, na sigla em inglês), que utiliza microinjeções de genes em embriões de mosquitos. A técnica consiste na produção de insetos com um gene letal.
“Trabalhamos com a inserção de um gene letal sob o comando de um promotor específico de fêmea para levar o mosquito à morte no momento desejado”, disse Wilke à Agência FAPESP.
“Isso significa que, ao integrarmos esse gene letal ao genoma do mosquito, os machos transgênicos podem ser liberados na natureza para cruzar com fêmeas selvagens, resultando em uma progênie [conjunto de descendentes] apenas de machos, uma vez que o gene letal é expresso nas fêmeas”, explicou.
O efeito nos machos, que cruzam com fêmeas selvagens para gerar outros machos, dura por até três gerações, causando o declínio no número de indivíduos e, posteriormente, suprimindo a população. “O conceito é que, ao utilizar um mosquito geneticamente modificado carregando um gene letal dominante, podemos controlar efetivamente sua população por supressão”, disse.
O pesquisador explica que as fêmeas do Culex quinquefasciatus cruzam apenas uma vez durante a vida, estocando o esperma do macho para fecundações posteriores. “A técnica tem diversas vantagens. Diferente dos inseticidas que são tóxicos ao meio ambiente, os mosquitos liberados não prejudicam outros animais que venham a comê-los, já que são considerados espécie específica e atingem somente a população de Culex, além de não deixar nenhum tipo de resíduo no meio ambiente”, afirma Wilke.
De acordo com o pesquisador, é possível manter a linhagem indefinidamente em laboratório. “Quando os mosquitos precisarem ser liberados, basta prepararmos um lote de machos para cruzar com fêmeas selvagens. Os machos não picam o homem e, portanto, também não transmitem patógenos [agente biológico causador de doenças]”, disse.
Vetor de doenças
A espécie Culex quinquefasciatus tem importância vetorial na transmissão de parasitas e arboviroses (viroses transmitidas por artrópodes). “Ela tem a capacidade de sobreviver em águas altamente poluídas, como as do rio Pinheiros, em São Paulo, onde geralmente não existem predadores naturais. Isso acarreta um desequilíbrio ecológico e enorme número de indivíduos. Os rios poluídos propiciam hábitats sem competição para o mosquito”, explicou.
Além do inerente incômodo das picadas, o Culex quinquefasciatus tem capacidade vetorial para diversos arbovírus, entre os quais os agentes de encefalites, inflamações agudas do cérebro, sendo também vetor de parasitas causadores de filariose, doença também conhecida como elefantíase, causada por vermes que parasitam os vasos linfáticos do homem.
Wilke lembra, no entanto, que para a prevenção de doenças transmitidas por outros vetores, como por exemplo o Aedes aegypti, causador da dengue, a técnica precisaria ser modificada. “Utilizamos a técnica RIDL para uso exclusivo da espécie Culex quinquefasciatus. Não há maneiras de controlar o Aedes utilizando o Culex pelo simples fato de eles serem espécies distintas e não cruzarem”, observou.
A técnica RIDL foi desenvolvida por laboratórios da Universidade de Oxford, na Inglaterra, sendo um deles liderado pelo professor Luke Alphey, da Oxford Insect Technologies. Para Wilke, as aplicações práticas para o controle de vetores utilizando a RIDL são inúmeras, o que a torna uma importante ferramenta para esse tipo de manejo.
“A RIDL é específica para a espécie alvo, não polui o meio ambiente e não contamina o homem ou animais. Porém o ideal é que outras medidas de controle sejam feitas em conjunto, como a despoluição dos rios e a educação da população”, explicou.
O trabalho de mestrado de Wilke é parte de um projeto de pesquisa apoiado pela FAPESP no âmbito do programa Apoio a Jovens Pesquisadores, coordenado pelo professor Mauro Toledo Marrelli, do Departamento de Epidemiologia da FSP, orientador de Wilke.
“Nosso trabalho mostra que essa técnica apresenta um enorme potencial de controle e manejo de vetores nas grandes cidades. A RIDL é uma ferramenta extremamente útil em saúde pública. Uma vez controlado o vetor de um patógeno como o Culex quinquefasciatus, o número de infecções e o incômodo causado por esses mosquitos diminuem”, disse Wilke.
O estudo contou com a colaboração do professor Luke Alphey, que fornece material genético semelhante aos utilizados com sucesso em Oxford durante pesquisas com o Aedes aegypti, além do apoio do grupo de pesquisa de Margareth Capurro, professora do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, onde são feitas as microinjeções e o manejo do insetário para a obtenção do mosquito transgênico.domingo, 14 de setembro de 2008
Acelerador de partículas é inaugurado com sucesso
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Em meio à alegria dos cientistas, que esperavam por este momento há anos, o primeiro feixe de prótons a ser lançado no Grande Colisor de Hádrons (LHC) fez a primeira volta completa em uma hora no gigantesco túnel circular subterrâneo de 27 km, que fica na fronteira entre a França e a Suíça.
Horas depois, outro feixe de partículas, introduzido na direção oposta, no sentido anti-horário, conseguiu percorrer todo o acelerador.
"Hoje é um dia histórico após 20 anos de trabalho e esforços de milhares de cientistas do mundo", disse à imprensa o diretor-geral do Cern, Robert Aymar.
"Pela primeira vez se conseguiu que o acelerador aceitasse as partículas e que elas circulassem", declarou.
Na experiência desta quarta-feira, no entanto, as partículas foram lançadas com muito pouca velocidade e pouco a pouco para comprovar que todas as peças do LHC funcionassem corretamente.
Após o êxito dos primeiros testes, a pergunta que fica no ar é quando acontecerão as primeiras colisões frontais de partículas com velocidade próxima à da luz, ou seja, quando serão recriados os instantes posteriores ao Big Bang, o momento sonhado pelos cientistas, mas temido por aqueles que acham que levará ao fim do mundo.
"Não sei quanto tempo demorará. É muito difícil saber. Dependerá de quando a máquina estiver funcionando a pleno rendimento, mas esperamos que seja em poucos meses", afirmou Lyn Evans, diretor do projeto do LHC.
Os cientistas do Cern começarão amanhã mesmo a lançarem feixes em sentidos opostos, e as primeiras colisões poderiam acontecer nas próximas semanas, mas com pouca energia, até alcançar, no final do ano, um máximo de energia de 5 TeV (teraelétron-volts).
Quatro enormes detectores - Atlas, Alice, LHCb e CMS -, instalados no acelerador para permitir a observação das colisões frontais entre os prótons serão responsáveis por observarem os milhões de dados que surgirem.
Com custo de US$ 5,64 bilhões, o experimento sem precedentes do LHC foi hoje justificado por seus responsáveis e vários especialistas.
"Sabemos que, apesar dos grandes conhecimentos que temos do Universo, desconhecemos 95% da matéria, e agora temos o mecanismo para transformar a teoria filosófica do Big Bang em física experimental, o que é absolutamente fantástico", afirmou o Prêmio Nobel de Física de 1984 Carlos Rubbia.
"Agora estamos em posição de poder retroceder muito mais, até a origem do Universo, e de poder não apenas observar, mas simular estes instantes", declarou o físico italiano.
"Saber de onde viemos e para onde vamos sempre foi a pergunta que o homem se fez", disse Aymar.
No entanto, Aymar destacou que as descobertas do Cern transcendem a física teórica e têm importantes contribuições práticas, como no campo da medicina, mas também em exemplos como o agora imprescindível "www", inventado por cientistas do Cern em 1990.
Um dos grandes objetivos do LHC é descobrir o hipotético bóson de Higgs, chamada por alguns de "partícula de Deus" e que seria a partícula atômica número 25, após as 24 já constatadas.
A existência desta partícula, que deve seu nome ao físico britânico Peter Higgs, que previu sua existência há 30 anos, é considerada indispensável para explicar a razão de as partículas elementares terem massa, pois as massas são tão diferentes entre elas e confirmaria os modelos usados pela física para explicar o Universo, as forças e sua relação.
"Estamos convencidos de que o que chamamos de modelo standard (dominante na física) não está completo", afirmou Aymar, embora tenha previsto que nenhuma descoberta deste calibre será feita antes de três anos.
Se o bóson de Higgs existe, poderia ser detectado após a colisão de partículas no LHC com velocidade próxima à da luz, afirmam os especialistas.
Por outro lado, Evans afirmou que este acelerador "é um exercício em massa de colaboração mundial, no qual participaram cientistas e especialistas de muitos países, raças e religiões".
Cerca de 10 mil cientistas participaram deste projeto do Cern, entidade que pertence a 20 Estados europeus, mas no qual muitos outros países têm status de observadores.
EFE
domingo, 7 de setembro de 2008
Cientistas decifram mapa genético de dois tipos de câncer
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Nesse novo mapa, os cientistas avaliaram mutações em praticamente todos os mais de 20 mil genes de 24 cânceres pancreáticos e 22 cerebrais.
Na maioria dos tumores estudados, foram descobertas alterações nos processos reguladores e essas mudanças corresponderam a cerca de uma dúzia de cada tipo de tumor. No câncer pancreático, as alterações incluíram o sistema de controle de danos no DNA, o amadurecimento celular e a invasão do tumor correspondente a entre 67% e 100% dos tumores, disseram os cientistas.
Isto muda o conceito sobre os tumores sólidos e seu controle, ou seja, altera o tipo de remédios - ou outros agentes - necessários que atacam os efeitos fisiológicos desses processos, disse Bert Vogelstein, co-diretor do Centro Ludwig de John Hopkins e pesquisador do Centro Médico Howard Hughes.
Ele acrescentou que esses remédios, mais do que os componentes individuais dos trechos genéticos, provavelmente serão o enfoque mais útil para desenvolver novos tratamentos.
Além dos processos, em ambos os estudos foram identificados genes modificados, incluindo 83 oncogenes no câncer pancreático e 42 na forma mais letal de câncer no cérebro, o glioblastoma multiforme.
Também se determinou uma considerável exposição excessiva de 70 genes em proteínas cancerígenas que estão na superfície da célula ou que são secretadas, o que os transforma em um alvo para um potencial diagnóstico.
Segundo Kenneth Kinzler, professor de oncologia e co-diretor do Centro Ludwig, o estudo evidencia as dificuldades existentes no estudo da doença. "O panorama dos cânceres humanos é claramente muito mais complexo do que o que se achava até agora", assinalou.
"Combatê-lo será uma guerra de guerrilhas mais do que um conflito convencional porque há dezenas de genes mutantes em cada um dos tumores", acrescentou.
EFE
sábado, 6 de setembro de 2008
Nova pesquisa lança luz sobre matéria escura
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O estudo foi realizado por uma equipe internacional de cientistas e usou simulações de computador para descobrir o que pode ter acontecido há 10 bilhões de anos quando uma galáxia anã, cheia de gás, colidiu com a órbita de um sistema maior, do tamanho da Via Láctea.
Os pesquisadores descobriram que a pressão criada pela passagem de uma galáxia menor através de um sistema maior teria arrancado o gás interestelar da galáxia menor. O modelo também revelou que a força gravitacional do sistema maior teria deslocado muitas das estrelas luminosas da galáxia anã.
O resultado, segundo os pesquisadores, foi uma galáxia na qual a maior parte da matéria visível estava ausente, deixando basicamente matéria escura para trás. "Os resultados são empolgantes porque são baseados em uma combinação de efeitos físicos nunca antes postulada", disse o astrofísico Stelios Kazantzidis, da Universidade de Stanford, um dos autores do estudo.
"Esse é um passo em direção a um entendimento mais completo da formação da estrutura no Universo, o que é um dos objetivos fundamentais da astrofísica", disse Kazantzidis. Esferoidais anãs são galáxias compostas quase que inteiramente de matéria escura. Alguns exemplos vagos foram descobertos na Via Láctea e em Andrômeda.
Cientistas acreditam que esses sistemas escuros já foram cheios de gás mas, ao se tornarem satélites de galáxias maiores, a maior parte de sua matéria visível se perdeu. Os pesquisadores acreditam que todas as galáxias luminosas deveriam ser rodeadas por algumas galáxias esferoidais dominadas por matéria escura.
BBC Brasil
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Físicos tentam decifrar a "Partícula de Deus"
» Pesquisa lança luz sobre matéria escura
Na semana passada, um consórcio internacional anunciou em Pequim o desenvolvimento de um projeto para o mais caro acelerador de elétrons do mundo, o Colisor Linear Internacional (ILC, na sigla em inglês), com custo estimado em US$6,7 bilhões. Em um túnel duplo de 31 quilômetros de comprimento, os físicos de partículas farão colidir elétrons e seus opositores antimatéria, os pósitrons, a 500 bilhões de elétrons-volt.
O plano - que poderá ser ampliado para 50 quilômetros e um trilhão de elétron-volts - é arremessar as partículas a uma velocidade próxima à da luz. A colisão resultante poderá liberar matéria escura e energia escura, as substâncias invisíveis e enigmáticas que, juntas, acredita-se que componham 96% da massa do Universo.
Os estudos de engenharia para o ILC começarão no fim do ano, com a idéia de que uma decisão seja tomada em 2010 sobre prosseguir com a construção da máquina. Se tudo correr bem, as obras começarão em 2012 e o colisor sozinho estará funcionando no fim da próxima década. "O ILC provavelmente representa o máximo que se pode alcançar com esse tipo de tecnologia", disse Guy Wormser, chefe do Laboratório do Acelerador Linear francês, que participou do encontro em Pequim.
AFP